Imprevistos não calculados - parte 4

LUANA
Relutei em passar pela porta giratória e antes de enfrenta-la olhei com bastante atenção para que minha entrada catastrófica não virasse realmente hábito naquele local. Consegui chegar na Lunch’s sem nenhum imprevisto, mas sentia certa apreensão de estar ali, mal havia entrado e Elias veio me cumprimentar e perguntar sobre o que eu estava conversando com o ‘Deus grego’, assim ele chamava o tal moço do terno sob medida, “Vamos me conte o que rolou ontem lá na entrada do prédio, já é a fofoca do dia...”
“Como assim a fofoca do dia?!” eu perguntei encarando-o. Elias me fitou com certa pitada de diversão antes de começar a falar “Meu raio de sol, as paredes desse prédio tem ouvidos, nada passa despercebido e pelo menos aqui no porão, todo mundo sabe de tudo e o que não sabe, deduz. Já está rolando o comentário que você e o Deus grego estavam de conversê na porta do prédio, e todo mundo está curioso para saber sobre o que vocês estavam conversando, então antes que o pessoal comece a inventar histórias é melhor você ir desembuchando...”
“Desembuchando? Eu quase trombei, ou melhor, trombei, ou não, porque ele me viu chegando... Bom não sei direito, eu estava com pressa e nem o vi passando pela porta, eu abaixei para pegar umas coisas que caíram quando trombei com ele, ele se abaixou para pegar meu livro, me entregou, eu pedi desculpas, ele fez algumas perguntas aleatórias que na verdade não me lembro direito quais foram e sai porque achei que já estava atrasada para pegar o ônibus... Foi só isso...”
“Raio de sol, só posso dizer uma coisa, você é uma garota muito sortuda, todas as outras desejariam trombar que o Deus grego na porta e nunca dão essa sorte, então toma cuidado, porque a inveja e a falação podem ser cruéis, até mesmo para uma garota tão na sua como você.”, me disse Elias, apesar do pouco tempo que estava trabalhando ali, ele havia se tornado um bom amigo, aliás um ótimo amigo, ao contrário da maioria, desde meu primeiro dia na Lunch's ele foi quem procurou me ajudar e fazer com que eu me sentisse mais confiante em relação ao meu primeiro trabalho. Ele é um moreno bonito, esguio, de cabelos curtinhos e olhos castanhos, cheio de alegria, sorridente, até então não me senti a vontade de perguntar, mas tudo indicava que ele era homossexual, os comentários dele sobre os meninos eram hilários e divertidos.

Fiquei um pouco preocupada com o aviso que ele tinha me dado, ou seja, além do RH eu tinha que procurar não trombar com mais ninguém, inclusive com ele na porta ou em qualquer outro lugar naquele prédio, “Então espero que eu não cruze mais com ele por aqui...”.
Estava na cozinha ajudando Elias fazer alguns preparativos, enquanto conversávamos e dávamos risadas sobre diversos assuntos diários e algumas das fofocas que rolavam pelos fundos, quando Ísis, a gerente geral, invadiu a porta aparentemente furiosa e chamando pelo meu nome, “Luana o que você andou aprontando? Você enviou algum pedido errado para os andares, tratou mal alguns dos engomadinhos?”.
Eu e Elias ficamos imóveis por alguns instantes, surpreendidos com a forma como Ísis havia nos abordado, me virei na direção dela sem entender nada. Ela novamente começou a me dirigir a palavra “Tem uma pessoa querendo falar com você ali no balcão e eu espero que não seja reclamações, na verdade eu não precisava de mais nenhuma ajudante aqui e só abri exceção, pois foi o RH que solicitou...”
Eu continuei sem entender, quando ela disse pra eu me apressar e ir atender a pessoa que estava me esperando no balcão. 
Não fazia a menor ideia do que se tratava, dei uma olhada para o Elias, que estava com os olhos arregalados demonstrando não ter entendido nada da mesma forma que eu, então comecei a rumar sentindo ao balcão de atendimento da Lunch’s.

To be continue...

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