Efeito colateral - parte 6
LUANA
‘Efeito colateral’? Será que ele estava se
referindo a mim?
Ele tinha bons argumentos e sua postura
demonstrava que ele estava determinado, seu olhar era fixo, como um predador
esperando por um passo em falso de sua presa. Eu já estava me sentindo
intimidada e incomodada com a presença dele ai, levando em consideração ao que
Elias havia acabado de me contar, se as fofocas corriam de situações que
aconteciam na porta giratória, imaginam quais seriam os comentários com ele ali
parado a minha frente? Respirei fundo e procurei uma forma de dispensá-lo sem
ser grosseira.
“Desculpe, eu acho que... não seria uma boa
ideia...”.
Ele me olhou com curiosidade, “Agora vou fazer a
pergunta que todo mundo está me fazendo, qual o problema? Não vejo nada de
mais, em sentarmos e trocarmos algumas palavras, afinal é o que já estamos
fazendo, ou não?”.
Analisei o que ele disse e tinha lá algum
sentido, e já comecei imaginar quais comentários iriam surgir ao mesmo tempo em
que senti minhas bochechas começarem a esquentar, eu não podia ver, mas tinha
certeza que elas estavam vermelhas, “ahm... Eu preciso desse trabalho...
Muito... E acho que não é uma boa ideia... você... eu...”, eu não consegui
completar a frase.
Ele me observou como se estivesse deduzindo o
que eu disse, “Entendo, talvez em outro local fosse mais adequado. Quando?”.
Como ele disse, o silêncio deixava a brecha pra
se supor o que achava que melhor se encaixava e ele estava sempre um passo a
frente, única coisa que eu queria é que ele saísse dali para evitar o falatório,
balançado a minha cabeça para tentar acelerar meus pensamentos. Ao mesmo tempo
em que eu queria que ele fosse embora, mesmo que de relance e de um modo não
fixo, eu me encantava de ver aquele rosto escultural na minha frente.
“Ok, talvez você precise de mais algum tempo
para pensar, eu espero.”, ele disse ao se levantar e dar sinais de que iria
bater em retirada, porém, de repente outro tipo de preocupação começou a fazer
parte de meus pensamentos, ‘talvez esse interesse tenha outro propósito, será que
ele está arrumando um jeito de me despedir?’. Senti que minha expressão facial
mudou, até mesmo porque ele notou e me perguntou se eu estava bem.
“Eu fiz... ahmm... alguma coisa errada?”, foi a
única pergunta que consegui elaborar de acordo com o seguimento de meus
pensamentos.
Ele parou e seu um passo de volta, colocando os
cotovelos sobre o balcão pude notar que realmente ele era alto, ele curvou um
pouco seu corpo sobre o balcão, me olhando fixamente e perguntando num tom mais
baixo e muito mais próximo, o suficiente para que eu pudesse sentir o cheiro do
perfume dele de perto, “Você fez?”.
Eu engoli o nó que se formou na minha garganta,
respirei fundo antes de tentar corrigir o que eu havia dito, se é que eu tinha
dito alguma coisa de errado, dei um passo para trás antes de soltar algumas
palavras, “Não sei... foi isso que eu perguntei...”.
“Não tenho conhecimento de nada, por enquanto.”,
ele respondeu dando um leve sorriso, enquanto tentava me adiantar a cada coisa
que ele dizia e palavra pro enquanto ficou martelando meus pensamentos e não
pude evitar torná-la em uma pergunta, “por enquanto?”.
“Só posso saber se você me contar o que fez ou
deixou de fazer, antes não posso dar minha opinião se foi errado ou certo.
Enquanto isso irei esperar você decidir sobre o meu convite, caso você aceite
poderá me contar o que fez ou não, e poderemos discutir sobre o certo e o
errado...”, outra vez ele conseguiu se adiantar aos meus pensamentos e a única
coisa que eu consegui fazer foi balançar a cabeça concordando, com o que nem eu
mesma sabia direito.
Pouco tempo depois Isis estava no meu pé, à
espera de explicações e como eu não queria dar motivos para o falatório do dia,
dei apenas uma explicação breve “Não era nada relacionado ao trabalho...”, e
isso sim, foi o risco do fósforo para o início das suposições do assunto do
dia, que eu passei me esquivando até dar a hora do final do meu expediente.
To be continue...
To be continue...
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